Março de 1995.
O menino Nadson, 13 anos, já se destacava como o melhor
do time formado e treinado por Carlinhos Capenga, lá
no povoado de Lagoa de Fora, a três quilômetros
do centro da cidade de Serrinha/BA. Levado para a Divisão
de Base do Vitória, não ficou. Seguramente porque
o acharam franzino, raquítico e não recomendava
bem para um futuro goleador.
Março de 1998. O adolescente Nadson acabara de completar
16 anos e lá estava, enxada nas mãos calejadas,
suor escorrendo na face, fruto da labuta diária com o
pai Nelson, trabalhando na lavoura para ajudar no sustento da
família de agricultores, na roça Alto da Bandeira,
zona rural de Serrinha.
De repente, ouviu, no radinho de pilha dependurado na forquilha
do pé de mandioca, o locutor dizer: “Rivaldo e
Roberto Carlos vão agora ganhar mais de 200 mil dólares
no Real Madrid. São mais dois jogadores do futebol brasileiro
que fazem fortuna, passando a ter uma vida tranqüila até
os seus últimos dias”.
O garoto Nadson, do tipo sisudo, não comentou muita
coisa com os companheiros de labuta, mas disse com os próprios
botões: “Posso não chegar a tanto, mas
um dia ainda jogo no estrangeiro, vou ganhar bem, para ter
uma vida mais confortável e ajudar a minha família”.
Seu pendor para bola foi sempre latente: era sobrar um tempinho,
nos fins de semana principalmente, e lá estava ele, camisa
nove, marcando seus gols, muitos deles brilhantes, a maioria
decisivos para o seu time.
Da enxada e das peladas da zona rural, foi até o amigo
e treinador Carlinhos Capenga e resolveu tentar mais uma vez
na Divisão de Base do Vitória da capital, seu
clube de coração. Agora, era aceito pela equipe
de Newton Mota, em 1999, revelando-se para o Brasil, como
artilheiro de talento, tanto em regionais, como em campeonatos
nacionais e no exterior, a ponto de ser hoje o principal matador
do Samsung, time expressivo da Koréa do Sul, que não
se arrepende em ter, um dia, acertado a compra de seu atestado
liberatório ao Vitória e de ter celebrado com
a agência Antoniu’s, representante do craque,
um salário que começa a lhe dar a tranqüilidade
que ele se prometeu enquanto capinava a plantação
de mandioca, milho e feijão lá na distante Alto
da Bandeira, em Serrinha. |